
O que é o Dossiê de Inclusão?
O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno(a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais.
Para seu Dossiê de Inclusão
Relate sua experiência com educação especial e/ou com inclusão. Crie um novo pbwiki para fazer esse depoimento e encaminhe o endereço para a tutora da interdisciplina. Sugerimos, também, que linke esse novo pbwiki no sidebar de seu pbwiki pessoal.
O depoimento precisa ser sobre processos educativos que vocês mesmos vivenciaram, seja na sua escola, seja na sua sala de aula, seja na sua família ou com amigos. Pode ser feito na forma de texto, audio ou vídeo. Podem incluir registros fotográficos, lembrando porém, que as imagens dos alunos devem ter autorização dos pais ou responsáveis para serem colocadas na Internet. (Caso não tenham por favor editem as imagens, colocando uma tarja sobre os rostos ou outro mecanismo para preservar a privacidade e identidade dos sujeitos.) Um outro aspecto importante é mudar o nome das pessoas envolvidas para preservar a identidade das mesmas.
Tecendo meu relato...
Observo através da leitura dos textos oferecidos pela interdisciplina de EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS, que estamos iniciando no Brasil, uma caminhada em busca de um maior entendimento e aprimoramento nas questões voltadas a “EDUCAÇÃO ESPECIAL” e “INCLUSÃO”. No Brasil a história da Educação Especial tem início com algumas iniciativas isoladas no atendimento a deficiências visuais e auditivas e só a partir de 1957 o atendimento educacional aos indivíduos que apresentavam deficiências foi assumido pelo governo federal. Sendo assim quero destacar o parágrafo abaixo:
“As mudanças sociais, ainda que mais nas intenções do que nas ações, foram se manifestando em diversos setores e contextos e, sem dúvida alguma, o envolvimento legal nestas mudanças foi de fundamental importância. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 208, estabelece a integração escolar enquanto preceito constitucional, preconizando o atendimento aos indivíduos que apresentam deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (MIRANDA ARLETE Doutora em Educação; Profª da FACED de Uberlândia).
Fica contextualizado a importância da participação dos movimentos sociais, pais, alunos, professores e entidades afins com o objetivo de cobrar do poder público um maior investimento no atendimento, capacitação e melhoria das instituições de ensino voltadas para o ensino especial. Sabemos que apenas estabelecendo leis e decretos não estaremos garantindo uma prática educacional inclusiva, mas sim que a escola esteja preparada para atender os alunos independente de suas diferenças e características individuais.
Quero mencionar que através dos textos, e de minha observação pessoal dos diversos relatos das colegas, que ainda é muito pequeno o investimento do estado no atendimento aos indivíduos com necessidades especiais, e a garantia de inclusão do mesmo em seus mais amplos sentidos. Cabe a nós professores aprimorarmos nossos conhecimentos através desta disciplina, para desenvolvermos novos aprendizados, assumindo um compromisso de trabalhar junto à escola e comunidade o tema que é muito relevante que é “A EDUCAÇÃO ESPECIAL E A INCLUSÃO”.
Visitei os dossiês dos colegas, sendo todos relatos e aprendizados, que me proporcionaram uma reflexão profunda sobre o tema, porém quero deixar o meu registro sobre o “Dossiê de Inclusão” da colega Carem e que destaco o parágrafo abaixo:
Maurício é assim, se impõe, e significativamente acho isto muito positivo! Ele possui atitudes e sabe o que quer. Viu que é muito especial, aliás foi através dele que a escola se enquadrou à rampas nas portas e em outros critérios de construções possíveis e imprescindíveis a estas deficiências (CAREM DA SILVA MENGUE, 2009/1 Eixo VI, DOSSIÊ DE INCLUSÃO).
O aluno Mauricio ao ser recebido pela instituição de ensino desempenhou um papel muito importante no aprendizado e desenvolvimento dos professores e demais colegas, e também proporcionou as alterações físicas necessárias para se adaptar as suas necessidades. Verificamos assim o benefício de trabalhar com alunos deficientes, criando um ambiente de aprendizado e desenvolvimento, na valorização da troca e cooperação nas interações humanas. Todos aprendemos escola, professores, alunos e comunidade.
Verifico a gratificação e o valor que a colega Carem transmitiu em seu relato, colocando a transformação positiva que o aluno com necessidades especiais trouxe para toda a instituição de ensino. Existiu nesse momento um compromisso da escola em oferecer e adaptar, assumindo o seu verdadeiro papel de entidade que permite a inclusão em todos os seus sentidos. Essa aproximação do ensino comum e a educação especial proporcionam ao profissional a busca e aprimoramento de seus conhecimentos visando um crescimento pessoal, de toda a instituição e da comunidade local.
A presença de alunos considerados “diferentes” no ensino comum tem proporcionado o aprimoramento dos temas e debates e da real necessidade em questionarmos junto ao poder público e a comunidade a capacidade da escola e dos sistemas educacionais em atender e desenvolver novas possibilidades para a intervenção educativa no seu mais amplo sentido.
Sendo assim quero destacar o parágrafo do texto, “A INCLUSÃO E SEUS SENTIDOS: ENTRE EDIFICIOS E TENDAS”, que proporciona uma reflexão profunda no aprimoramento e desenvolvimento que essa disciplina está proporcionando e que considero fundamental para a minha formação acadêmica:
“Considero que ambos – compromisso e flexibilidade – possam ser bem representados por uma tenda. Esta concentra as possibilidades de uma “montagem” que contemple as diferenças, constituindo-se em contínuas montagens, contínuas transformações...”. (BAPTISTA, Claudio R. A Inclusão e Seus Sentidos: Entre Edifícios e Tendas. PPGEDU/UFRGS).
Para mim é um desafio que vem ao encontro a minha atividade profissional e nos educadores devemos assumir o compromisso de questionar, debater e desenvolver, através da observação e do diálogo, todos os recursos e instrumentos voltados à educação, com a coragem de mostrar toda a nossa capacidade na construção de “tendas”, visando o movimento integração/inclusão. Quero concluir com o parágrafo da colega Carem e destacando, “no momento em que nos comprometemos com amor à vida desses alunos”, venceremos e construiremos uma sociedade mais igualitária e justa, formando indivíduos críticos e construtivos de um futuro promissor para todos, sem distinção de raça e cor, tendo como base a educação/inclusão.
”A escola Fernando Ferrari acredita que há inclusão no momento em que cumprimos com a lei, e mais, no momento em que nos comprometemos com amor à vida desses alunos, como a nossa profissão!” (CAREM DA SILVA MENGUE, 2009/1 Eixo VI, DOSSIÊ DE INCLUSÃO).
Unidade 2 - Políticas Públicas Brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político - Pedagógico da Educação Inclusiva
A proposta de atividade desta unidade é uma continuação daquela iniciada na unidade sobre a história. Busquem informações sobre suas escolas e redes de ensino onde trabalham, indicando se identificam a presença de alunos com deficiência ou necessidades educativas especiais nessas instituições. Elaborem um texto no qual vocês apresentarão os dados de uma escola específica, indicando total de alunos e docentes, etapas de escolarização, alunos da educação especial presentes (quais? quantos? com que tipo de atendimento?). Elabore um comentário que integre a realidade descrita e os pontos centrais que identifica nos textos lidos.
Em 2005 e 2006 atuei em sala de aula como professora em um Projeto Social onde o público alvo eram crianças de 7 a 14 anos de idade que apresentavam algum tipo de vulnerabilidade, onde meu trabalho basicamente baseava-se em oferecer possibilidades para que aquelas crianças desenvolvessem um processo de inclusão social através da Educação Especial / Inclusiva. Atualmente sou funcionária pública efetivada e atuo na Área da Secretaria da Assistência Social em um Programa do Governo Federal chamado Bolsa Família.
Por não estar em sala de aula, minha produção textual terá como referência a Escola Municipal de Ensino Fundamental Fernando Ferrari, localizado na comunidade de Fernando Ferrari, fazendo parte de área rural, que atende várias comunidades locais. A escola atende em torno de 200 crianças, sendo composto de um corpo docente de 22 professores, oferecendo ensino para a pré – escola, anos/séries iniciais e ensino fundamental de 8 e 9 anos. A cada ano aumenta o número de crianças com necessidades educativas especiais, porém no ano letivo está atendendo 18 alunos. O atendimento é realizado dentro das possibilidades e da realidade da escola, contando com o apoio do corpo docente, juntamente com os pais e comunidade. É preciso saber da realidade e trabalhar com muito amor, pois esses alunos têm muito a nos ensinar e transmite através de suas necessidades novos valores e saberes que se integra a toda a escola.
O atendimento para essas crianças conta com o apoio que é de fundamental importância e que presta um significativo e importante trabalho em toda a comunidade, pois é esse o seu principal objetivo, no desenvolvimento educativo especializado que é a APAE – Escola de Educação Especial João-de-Barro, localizada neste município.
A APAE conta com uma estrutura de profissionais composta por pedagogos, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudióloga, fisioterapeuta, realizando também trabalho de terapia ocupacional, ludoterapia, assistência social, entre outros serviços. Esse apoio também é estendido ao corpo docente das escolas, quando necessário, prestando assim um importante serviço complementar para toda a rede de ensino do município.
Através dos textos lidos e das informações coletadas junto a Escola Municipal de Ensino Fundamental Fernando Ferrari, verifico que temos uma longa caminhada, com muito dialogo e dedicação no desenvolvimento e conscientização do poder público, comunidade, iniciativa privada, e profissional da área de educação com o objetivo de tecer uma rede onde a educação especial e a educação comum trabalhem de forma organizada e paralela permitindo a inclusão sem qualquer descriminação.
Quero mencionar a RESOLUÇÃO CNE/CEB N° 2, de 11 de Fevereiro de 2001 e homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 15 de agosto de 2001, no seu artigo abaixo mencionado:
“Art. 1° A presente Resolução institui as Diretrizes Nacionais para a educação de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na Educação Básica, em todas as suas etapas e modalidades. Parágrafo único. O atendimento escolar desses alunos terá inicio na educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado.”
Fica evidenciada em lei toda a obrigatoriedade do estado em fornecer, criar ou preparar toda a rede de ensino com o objetivo de fornecer um atendimento educacional especializado, porém não é a realidade brasileira. O texto, A INCLUSÃO E SEUS SENTIDOS: ENTRE EDIFICIOS E TENDAS, de Cláudio Roberto Baptista, é de extrema importância para nós acadêmicos, pois identifica a realidade brasileira e coloca de forma bastante clara a real necessidade de buscar e aprimorar nossos conhecimentos, desenvolvendo um aprendizado voltado para a educação com inclusão no seu sentido mais amplo.
Precisamos trabalhar de forma organizada, aproximando o ensino comum do ensino especializado, valorizando as características individuais de cada aluno, garantindo assim a sua permanência na escola e reduzindo os mecanismos de exclusão.
Conforme observamos no texto quero citar:
“... precisamos renunciar aos “edifícios” e construir “tendas” que podem ser desarmadas e transportadas para locais distantes, acompanhando o percurso dos interessados, montam-se de maneiras variadas, permitindo a negociação que transforma os modelos de ação, os locais escolhidos e os tempos destinado”( BAPTISTA, Claudio Roberto. PPGEDU/UFRGS: A Inclusão e Seus Sentidos: Entre Edifícios e Tendas).
Fica caracterizado a importância do acadêmico em sua formação, na busca do conhecimento, o qual esta disciplina está oportunizando, sendo um semeador e questionador dos ideais educativos e mostrando habilidade na construção de tendas no seu mais amplo sentido.
Unidade 3 - Serviços de Atendimento Educacional Especializado
Parte A) A partir da pesquisa iniciada sobre a educação especial no seu município, descreva quais serviço especializados existem no mesmo e quantos alunos são atendidos por estes serviços.
Parte B) ESTUDO DE CASO : Selecionar o caso
Existem em nosso município duas escolas com atendimento a educação especial, a APAE (entidade filantrópica de nome JOAO DE BARRO) e a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Angelina Maggi.
A APAE atende atualmente 102 crianças com necessidades educacionais especial, contando com uma estrutura composta por pedagogos, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudióloga, fisioterapeuta, realizando também trabalho de terapia ocupacional, ludoterapia, assistência social, entre outros serviços. Esse apoio também é estendido ao corpo docente das escolas, quando necessário, prestando assim um importante serviço complementar para toda a rede de ensino do município.
A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Angelina Maggi possui salas com estrutura para atendimento as crianças com necessidades educacionais especiais, quando necessário, são realizadas em turno diferenciado com profissionais qualificados.
A Secretaria de Assistência Social do município também atua com educação especial e inclusão através de dois projetos: Pequeno Cidadão, para criança de 7 a 12 anos, estando atendendo 19 crianças e o projeto Arte de Rua para adolescentes de 13 a 17 anos, estando atendendo 13 jovens.
Quero mencionar que através dos textos, e de minha observação pessoal, que é muito pequena o investimento do estado no atendimento aos indivíduos com necessidades especiais, e a garantia de inclusão do mesmo em seus mais amplos sentidos. Cabe a nós professores aprimorarmos nossos conhecimentos através desta disciplina, para desenvolvermos novos aprendizados, assumindo um compromisso com os alunos e a comunidade, de uma educação inclusiva, independente da diferenças ou características individuais, formando um cidadão crítico/construtivo para cobrar do Estado seus direitos constitucionais, sendo assim quero citar:
“A constituição federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais, “promover o bem estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º inciso IV). Define no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso à permanência na escola”, como um dos princípios para o ensino e, garante como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art.208) “(Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva – Brasília – Janeiro de 2008).”
É importante observar que precisamos buscar um maior aprendizado de nós mesmos e de nossos alunos, vivenciando diariamente através de uma interação que reconheça as diferenças individuais, permitindo a troca e a cooperação nas relações humanas. Somente assim estaremos aprendendo os inúmeros benefícios ao desenvolvimento das crianças deficientes e também das não deficientes, permitindo mudanças estruturais no sistema educacional e permitindo a inclusão como um todo. A citação abaixo evidencia a necessidade de buscarmos sempre o conhecimento individual para identificar nossas barreiras no desenvolvimento de nossa atividade educacional.
“O movimento de conhecer-se é necessário para que possamos identificar muitas de nossas barreiras que agem nos encontros com o outro. Que efeito ocorre em mim o encontro com aquele que identifico como diferente? Quais são as margens de flexibilidade, para que eu possa “olhar” meu aluno para além de suas roupas nem sempre limpas, de seu caderno desordenado, de sua necessidade de trazer objetos pessoais que o acompanham, de seu despreparo para o uso do plural, de sua dificuldade de permanecer em fila, quieto e sentado durante o tempo que eu estabeleço? Quanto à busca de referenciais, trata-se de assumirmos que existe uma história em educação que ainda é insuficientemente conhecida (Ensaios Pedagógicos-Educação Inclusiva: Direito a Diversidade – Brasília – 2006).”
Parte B: ESTUDO DE CASO
Para realização da atividade proposta, escolhi um aluno do Instituto Estadual de Educação Maria Angelina Maggi, portador de necessidades especiais que está no 3° série do ensino fundamental e recebe em turno inverso atendimento especializado na APAE do município de Três Cachoeiras.
O menino está com 10 anos, utiliza cadeira de rodas para locomover-se, pois sua deficiência é física, o que não o impede de transitar por todas as dependências da escola.
Unidade 4 - Educação e deficiência física
Estudo de Caso
1) Dados de identificação do sujeito
- nome (fictício), idade, situação familiar, profissão dos pais e condições socioeconomicas da família.
* Você pode acrescentar outras informações que achar relevante e/ou necessárias em cada uma das partes desta atividade.
O aluno escolhido é David (nome fictício), tem 11 anos, estuda no Instituto Estadual de Educação Maria Angelina Maggi, na 3ª série.
Seu pai tem 40 anos, agricultor e a mãe têm 32 anos, dona de casa. A condição socioeconômica da família é de baixa-renda onde dependem do benefício BPC, pago pelo Governo Federal para portadores de deficiência.
David nasceu no dia 8 de abril de 1998, na cidade de Sombrio, Estado de Santa Catarina, onde residia na época, apresentando o seguinte quadro clínico: Mielomeningocele e Hidrocefalia.
Nos primeiros 4 meses de vida, teve atendimento especializado pela APAE de Sombrio. A família resolveu mudar-se para Três Cachoeiras e teve de aguardar 4 meses por uma vaga para que continuasse sendo acompanhado. E com 8 meses, ingressou na APAE deste município tendo um atendimento especializado com estimulação precoce (estímulos: como olhar, agarrar, sentar, etc.). David conseguiu sentar-se aos 2 anos de idade, momento este de grande alegria para os pais.
Nosso David ingressou na Escola Municipal de Educação Infantil Abelhinha com 4 anos, onde traz boas lembranças da professora Julciléia, que o fazia sentir-se capaz, tornando as coisas mais fáceis para o menino. Mas, as barreiras eram muitas, e David apresentava muitas dificuldades na coordenação motora, onde o recorte com tesoura era algo muito complicado. Levou 3 anos para concluir o jardim e o pré-escolar.
Aos 7 anos de idade ingressou no Instituto Estadual de Educação Maria Angelina Maggi. A mãe lembra com sofrimento todas as dificuldades que a família atravessou até que a escola se adaptasse ao menino com “deficiência física”. Na 1ª série não existiam rampas para acesso com a cadeira de rodas. Nesta época David ainda tinha problemas com a coordenação motora, porém, constituía suas aprendizagens acompanhando o rendimento da turma, e aprendeu a ler e escrever. Já na 2ª série, ainda sem as rampas para facilitar o acesso e com uma professora despreparada para interagir com ele, olhava-o com discriminação, dizendo:
-Você não sabe nada. Impossível tê-lo aqui.
A professora X não acreditou no potencial de David levando-a a reprová-lo no final do ano letivo. A mãe entrou com recurso alegando as intervenções infelizes da professora e justificando as atividades desenvolvidas com seu filho eram diferentes dos demais alunos. Mesmo assim, a escola resolveu ficar do lado da professora e reprovou o menino. A mãe conta com emoção no olhar, pois reconhece as conquistas e o crescimento de seu filho.
No ano seguinte, David encontra na escola rampas que facilitaram seu acesso e uma professora determinada, que exigia dele fazendo-o sentir-se apenas diferente, mas com direitos iguais. Direitos estes que não o impedia de aprender o que sua turma aprendia e David acompanhou brilhantemente seus colegas nas aprendizagens, levando-o a aprovação à 3ª série.
Hoje a dificuldade do menino é apenas o acesso até a escola, pois a distância é de quase 2 km. Mas ele conta com a ajuda de uma vizinha que o leva de carona todos os dias. David recebe atendimento 4 dias da semana na APAE em período inverso ao da escola.
A fé e a esperança é o alimento diário da família, e acreditam que David superará as expectativas e, encontrará na medicina saída para não continuar usando a cadeira de rodas.
Unidade 5 - Autismo
Estudo de Caso
Sua tarefa nesta unidade será continuar o registro escrito de seu Estudo de Caso abordando o seguinte item:
- História de vida do aluno
- avaliação inicial, diagnósticos (médicos, outros), encaminhamentos, atendimentos complementares especializados, processos investigativos.
Continuando o registro sobre o Estudo de Caso:
A mãe de David fez o pré-natal na rede pública de saúde. O médico só identificou a falta dos movimentos nas pernas do feto no 8º mês de gestação, resolvendo marcar a cesariana com emergência na cidade de Sombrio, estado de Santa Catarina. Diante da gravidade (malformação congênita do Sistema Nervoso Central), o médico responsável expôs para a mãe que a criança corria sérios riscos de ser surda, muda, cega e ter problemas mentais. O bebê foi transferido para o Hospital Universitário de Florianópolis onde ficou internado durante 2 meses e 17 dias. O tratamento da mielomeningocele começou pela correção do defeito no dorso. O aumento exagerado do crânio (50 centímetros) indicando a presença de hidrocefalia, para a qual o tratamento cirúrgico foi à colocação de uma drenagem (válvula) que envia o excesso de líquido cefalorraquidiano para o interior do abdômen (até a bexiga).
O tratamento envolveu diversos outros especialistas além do neurocirurgião com a realização de 17 intervenções cirúrgicas. Devido aos problemas causados pela bexiga neurogênica, exige atendimento de urologista. Com freqüência, a urina é retirada de dentro da bexiga com o auxílio de sondas, o que é realizado pela própria mãe.
Na APAE o menino é acompanhado por psicopedagoga, neurologista, fisioterapeuta, e psicóloga que também dá suporte psicológico a mãe que faz terapia uma vez por semana.
Unidade 6 - Deficiência Mental
- Comportamentos observáveis na escola sobre:
- relacionamentos: com professores/as, funcionários, colegas, outros;
- questões de aprendizagem, ;
- movimentos para a inclusão da escola (avaliação, acessibilidade, adaptações curriculares, serviços de apoio);
- movimentos para a inclusão do aluno;
- envolvimento da família no processo de inclusão escolar.
O aluno David tem um bom relacionamento com colegas, professores e funcionários. Dentro da sala de aula os colegas demonstram interação com as necessidades especiais de David procurando sempre ajudá-lo no que for necessário.
O que podemos observar é o despreparo de professores e funcionários em receber e trabalhar com as diferenças de crianças como David.
Em relação às aprendizagens, ele acompanha o andamento da turma e tem suporte no atendimento especial na sala de recursos.
Segundo a escola os pais de David poderiam ser mais exigentes com o menino, já que o mesmo demonstra capacidade para desenvolver ainda mais em suas aprendizagens.
Conforme observei através da entrevista com a professora e de seu relato, fica bastante definido em suas palavras que o estado não investe na capacitação dos profissionais que trabalham com a educação para os alunos com necessidades especiais. Não existe nem um tipo de capacitação ou preocupação no sentido de oferecer e desenvolver treinamentos específicos voltado para o atendimento de crianças com necessidades educacionais especiais. A escola é obrigada por lei a receber e atender os alunos, porém não recebe do estado o que é de direito, capacitação, material e adequação física do estabelecimento de ensino para adequar-se as necessidades do aluno. Todo e qualquer forma de adquirir conhecimento em relação às necessidades que o aluno precisa é feito de forma individual, sem qualquer acompanhamento por um profissional capacitado. Como não existe investimento do estado nesse sentido, fica a instituição de ensino dependente da boa vontade individual de cada membro do corpo docente e demais funcionários que atuam no ambiente escolar. Inclusive as adaptações físicas da escola e materiais como cadeira, mesa e outros são adquiridos com a ajuda da comunidade. Fica claro que sem capacitação adequada do educador, o desenvolvimento da aprendizagem do aluno fica prejudicado, e também a avaliação individual de suas necessidades e a correta adequação de equipamentos que favoreçam o seu desenvolvimento educacional, podem não corresponder à realidade desejada.
Unidade 7 - Práticas Pedagógicas em Educação Inclusiva
Sua tarefa nesta unidade será dar continuidade ao registro escrito iniciado contemplando os seguintes pontos:
a) Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
b) Quais as contradições em relação ao que foi observado?
c) Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?
d) Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
- Conclusões: faça um fechamento do estudo de caso, com uma reflexão sua sobre o mesmo.
Textos:
· "A Rede de Interações”, de Pistóia (2002) .
· Práticas educativas: perspectivas que se abrem para a educação especial de Padilha, 2000.
Este é um momento crucial no processo de aprendizagem, a avaliação do Estudo de Caso e do sujeito que o protagoniza.
Refletindo e aproximando as idéias dos textos “A Rede de Interação como Concepção Pedagógica: Alternativas no Espaço da Sala de Aula com Alunos em Situação de Desvantagem” de Lenise Pistóia e “Práticas Educativas: Perspectivas que se abrem para a Educação Especial”, de Ana Padilha, tomando como referência o meu estudo de caso, conclui que, enquanto educadores, temos que nos referir aos alunos com necessidades especiais, que antes de serem especiais são alunos e sujeitos, suas necessidades só são especiais porque a sociedade assim as considera. Isto implica que suas potencialidades sejam desafiadas, já que ainda há muitos preconceitos acerca da capacidade intelectual destas crianças. Neste sentido, o papel fundamental da escola no processo de integração/inclusão escolar dos alunos com necessidades educacionais especiais não se resume apenas em poder desenvolver com eles habilidades essenciais para a conquista de uma maior autonomia, mas também na possibilidade de poder contribuir com a evolução do sujeito como pessoa. Segundo Lenise Pistóia:
“Portanto, cabe aos educadores comprometidos com um trabalho pedagógico situado, em outra perspectiva, a tarefa de assumirem a causa dos alunos em situação de desvantagem. Em verdade, esta concepção proposta pela educação inclusiva não é destinada apenas, a um grupo de destemidos voluntários, mas é compromisso de todos os educadores”.
A inclusão é uma possibilidade que se abre para o aperfeiçoamento da Educação Escolar e para o benefício de todos os alunos, com e sem deficiência. Depende, contudo, de uma disponibilidade interna para enfrentar as inovações e essa condição não é comum aos sistemas educacionais e aos professores em geral.
Ao realizar o estudo do caso o que encontrei de mais complexo foi o relato trazido pela professora entrevistada, onde afirma não estar preparada para enfrentar as diferenças, ou seja, as desvantagens trazidas pelos alunos com necessidades educacionais especiais. Que não basta às escolas colocarem rampas em diversos acessos, e julgarem que esta está preparada para ser uma instituição inclusiva. É imprescindível que haja uma especialização que envolva professores e funcionários da escola para que possam interagir com o aluno em desvantagem. Segundo ela não existe na escola onde atua um trabalho de apoio pedagógico especializado para que possam oferecer suporte aos professores nas dificuldades vivenciadas no dia-dia em sala de aula. Conforme cita Pistóia em seu texto:
“Certamente, o enfrentamento com o inusitado e o desconhecido é um dos fatores que deixam os professores aterrorizados ao se depararem com alunos em situação de desvantagem em sala de aula. Uma das primeiras angústias apontadas por eles é a respeito da falta de qualificação para tratar com este “tipo de aluno”.
Educar é marcar um encontro com o outro e a inclusão escolar provoca, basicamente, uma mudança de atitude diante do outro, esse que não é mais um indivíduo qualquer, com o qual encontramos simplesmente ou com o qual convivemos certo tempo de nossas vidas. Mas é alguém essencial para a nossa constituição como pessoa e como profissional, que nos mostra os nossos limites e nos faz ir além.
A inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular, como caminho fundamental para se atingir a inclusão social, constitui uma meta, cada vez mais firme, nos diferentes sistemas educativos, nos quais se pretende educar alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular. Isto pressupõe que é o sistema educacional como um todo que assume a responsabilidade de Educação e não uma parte dela, a Educação Especial como, por exemplo, as APAEs.
Avaliando o sujeito do Estudo de Caso, segundo a professora não é necessário uma avaliação diferenciada em relação às aprendizagens de David, o que atrapalha um pouco seu rendimento é a superproteção da mãe que deveria cobrar mais do menino já que o mesmo tem grande potencial. A avaliação realizada é através de parecer descritivo conforme cito:
“É um aluno querido e inteligente. Respeita os professores e colegas. Tem capacidade de render mais do que demonstra... É um bom aluno, mas continue sempre estudando, pois tens grande potencial!...” Parte do parecer descritivo retirado do boletim de David, 1º trimestre, 2009.
Como relatei neste Dossiê de Inclusão o sujeito escolhido para protagonizar o Estudo de Caso tem comprometimento físico locomotor. Utiliza uma cadeira de rodas para locomover-se. Em sala de aula é adaptada uma mesa à sua cadeira de rodas, mesa essa especializada para cadeirantes. Mesmo com certas adaptações e algumas desvantagens David não deixa de acompanhar as atividades com a turma dentro de suas possibilidades, participando inclusive da aula de educação física, pois adora jogar vôlei com os colegas, vivenciando um clima de integração e cooperação. Quero citar:
“Vigotski chama de “novo ponto de vista” o que temos chamado de “um novo olhar” para as limitações e possibilidades dos deficientes; insiste que a validade social é a finalidade da educação. E para ele, o que é cultura é social, os signos são sociais, as ferramentas são sociais, todas as funções superiores desenvolvem-se de modo social, as significações são sociais – a base da estrutura da personalidade é social”. (PADILHA, XXI, p. 213).
O termo inclusão parece não oferecer dúvidas, literalmente significa ação ou resultado de incluir, de envolver, de abranger, de fechar, de encerrar, de introduzir, de inserir, dentro de alguma coisa. Conseqüentemente, a Educação Inclusiva significa assegurar a todos os estudantes, sem exceção, independente de sua origem sociocultural e de sua evolução psicobiológica, a igualdade de oportunidades educativas, para que, desse modo, possam usufruir de serviços educativos de qualidade, em conjunto com outros apoios complementares, com o objetivo de serem preparados para uma vida futura, o mais independente e produtiva possível, como cidadãos de pleno direito na sociedade.
Comments (11)
Graciela Rodrigues said
at 8:43 pm on Apr 6, 2009
Aguardo postagens.
Graciela Rodrigues said
at 10:35 pm on May 7, 2009
Cleide, seu relato está muito bem escrito, suas reflexões demonstram uma análise da realidade com desafios mas apontando perspectivas também. Gostei muito da sua escrita. Somente gostaria que anunciasse lá no início do teu texto tua área de atuação certo? Um pequena observação quanto ao português a expressão "de encontro" quer dizer contrariedade, porém a idéia que tu queres representar ali e de favorecimento então deves trocá-la por "ao encontro". Abraços e aguardamos a unidade 3.
Cleide said
at 7:51 pm on May 8, 2009
Olá professora, espero que minha produção esteja dentro dos objetivos propostos pela atividade. Aguardo comentário. Abraços! Cleide
Graciela Rodrigues said
at 11:05 am on May 10, 2009
Sim Cleide está ótimo, acrescentaste as observações solicitadas. Vamos agora para a unidade 3, pois amanhã iniciamos a 4. Bom trabalho!
Graciela Rodrigues said
at 10:04 pm on May 13, 2009
Cleide seu texto apresenta ótimas reflexões e posicionamento com sustentação das leituras relevantes. O estudo de caso contempla a proposta da unidade.
Graciela Rodrigues said
at 10:56 pm on May 21, 2009
Cleide seu relato aponta diversos fatos relevantes sobre o desenvolvimento de David e hoje como ele se encontra. Gostei da clareza da tua exposição e dos links inseridos. Quero observar algumas questões sobre as palavras ou expressões que utilizamos: considero irrelevante classificarmos as pessoas com normais ou não. Cada um de nós temos uma constituição o que nos torna diferentes, então não precisa tu colocares "nasceu uma criança “normal ou sentir-se normal. Davi assim como todos nós temos diferenças e o fato dele ter uma deficiência física não significa que tenha que torná-lo igual aos "normais", precisas sim trabalhar com seus potenciais sempre pensando que ele pode desenvolver-se sempre mais, mas não ter como parâmetro a normalidade. Acho que deves reformular a frase " Davi foi premiado" com relação ao postura da professora, concordo contigo que não foi uma profissional disposta a educar e acreditar no aluno. Espero a observância destes detalhes ok? Bom trabalho.
Graciela Rodrigues said
at 9:45 pm on Jun 7, 2009
Oi Cleide! Aguardamos a postagem da unidade 5, abraços!
Graciela Rodrigues said
at 1:47 pm on Jun 8, 2009
Olá Cleide! Dados contemplados para a unidade 5.
Graciela Rodrigues said
at 11:14 pm on Jun 21, 2009
OLá Cleide! Acrescente mais informações sobre o despreparo que apontas dos professores e funcionários? Como observes este aspecto nesta realidade? Aguardo.
Graciela Rodrigues said
at 8:57 pm on Jul 7, 2009
Muito bem Cleide, argumentos bem desenvolvidos para a questão colocada acima.
Graciela Rodrigues said
at 7:35 pm on Jul 18, 2009
Olá Cleide! Bom texto apresentado na unidade 7, escreve suas reflexões associadas com as leituras e seu estudo de caso. Abraços
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